Fazemos acontecer

Riso quase quarentão

Publicado na Revista Tutti Vida & Estilo | 03ª Edição | Agosto | 2012
Foto: Alessandro Maschio / MBM Ideias

Salão Internacional de Humor chega à maturidade com recorde de inscrições

A data de 25 de agosto já está marcada para quem gosta de humor e arte da melhor qualidade. Neste dia será aberto o 39º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que fica em cartaz até o dia 14 de outubro no Engenho Central de Piracicaba. Pioneiro no Brasil, o Salão oferece espaço desde os anos 70, época em que o país ainda vivia debaixo de uma ditadura militar, para os artistas exercitarem sua crítica ferina.

Hoje, passados quase 40 anos, continua com ânimo renovado e alma de moleque. Como deve ser. Do ano passado para cá, quando o evento finalmente começou a aceitar inscrições por e-mail, houve um estouro de participações, que chegaram a dobrar. Em 2012, o Salão marca mais um recorde: tem o maior número de obras selecionadas, 436, escolhidas entre as 3.442 enviadas. O evento contou com a participação de 845 artistas, de 64 países. O júri de seleção optou por aumentar a quantidade de obras em virtude do ótimo nível geral.

A participação esteve dentro das expectativas dos organizadores, segundo o atual presidente, o jornalista Edson Rontani Junior. Mas a maioria dos trabalhos, que pelo segundo ano consecutivo também puderam ser enviados pela internet, chegaram nos últimos dias. No caso, esse atraso não é preguiça, mas uma tática plenamente justificada. “O pessoal fica deixando (a inscrição) para o final porque espera um novo acontecimento que mobilize os comentários, de preferência um novo escândalo. É que o humor pode ter prazo de validade curto”, afirma Rontani.

A validade, explica o presidente, depende também do estilo de trabalho. Por definição, a charge é um trabalho que aborda algum tema ligado à realidade. E, portanto, mais sujeito às ‘chuvas e trovoadas’ do noticiário. Já o cartum tem uma inspiração mais livre, sendo ligada ao cotidiano. Além disso, o Salão apresenta inscritos em caricatura -- área em que nos últimos anos passou a ser considerado referência internacional -- e quadrinhos.

Entre as caricaturas desta edição, foram lembradas personalidades como a presidente Dilma Rousseff, jogador Neymar, o lutador Anderson Silva, o ditador sírio Bashar All Assad e o humorista Chico Anysio. O Salão tem também obras tridimensionais retratando Raul Seixas, Hermeto Paschoal e o Nhô Quim, símbolo do XV de Piracicaba. Nas charges, apareceram principalmente o uso das redes sociais e as Olimpíadas. “Os artistas brasileiros têm predileção por temas políticos, mas é preciso lembrar que o Salão recebe inscrições de artistas de todo o mundo. No ano passado, por exemplo, tivemos muitos trabalhos que falaram da falta de água na África, mas isso acabou não aparecendo tanto assim”, conta.

 

INTOLERÂNCIA

A organização nunca definiu um tema único durante esses 39 anos de existência do Salão, mas neste ano, por sugestão de Fausto Longo, membro da comissão organizadora, haverá uma sessão reservada para trabalhos com o tema intolerância. “Diariamente nos deparamos com acontecimentos que espelham todo tipo de arbitrariedade e intolerância: o cerceamento da liberdade de expressão, a destruição imposta pelas guerras, a exploração do trabalho infantil, a homofobia, a utilização indiscriminada dos recursos naturais, o fanatismo religioso...”, destaca o texto constante na ficha de inscrição do Salão.

Para Rontani, destacar a intolerância surgiu de forma natural. “O Salão surgiu mesmo para retratar a intolerância, num tempo em que não se podia falar. E continua assim”, lembra. O primeiro prêmio do primeiro Salão, realizado em 1974, era bem pesado e mostrava um menino sendo submetido a torturas e confessando: “O Rei está vestido!” Obra de um jovem cartunista, Laerte, que hoje está vestido com roupas de mulher e adotou o nome de Sônia. E tem enfrentado intolerância. “Aliás, nesses quase 40 anos é difícil não ver uma obra que não fale de alguma forma de intolerância”, afirma.

O Salão deste ano confere um total de R$ 35 mil em prêmios, sendo R$ 5.000 para cada uma das cinco categorias (cartum, charge, caricaturas, quadrinhos e Intolerância) e um prêmio de R$ 10 mil, escolhido entre os classificados. Os vencedores também receberão um troféu, criado por Zélio Alves Pinto. Além destes, haverá um prêmio de R$ 3.131,11, aquisitivo à Câmara de Vereadores de Piracicaba. A premiação aconteceu no dia 18 de agosto, uma semana antes da abertura. O Salão também já está recebendo inscrições para o cartaz da edição que marcará os 40 anos da mostra internacional. (por Ronaldo Victoria)

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