Fazemos acontecer

Com muita personalidade

Publicado na Revista Tutti Vida & Estilo | 04ª Edição | Outubro | 2012
Foto: Alessandro Maschio / MBM Ideias

Ex-vereadora, ex-atriz e sempre à frente de seu tempo, Adeli Bacchi imprime seu estilo no jeito de morar

Ela transitava entre cinegrafista, diretor de imagem, contatos comerciais e apresentadora de televisão. Orquestrando a gravação de vídeo que utilizava como pauta seu apartamento e sua personalidade, Adeli Bacchi Dias de Moraes e Silva, do alto dos seus 73 anos, recebia ainda uma segunda equipe de mídia na mesma noite quente deste começo de outubro. Com leveza, deixando todos à vontade, Adeli e seu refinado apartamento exalavam bom humor e dedicação.

Após o alvoroço da filmagem, a senhora que anda com a desenvoltura de uma moça mostrou cada detalhe que garimpara nas lojas pelas quais passara, lembrando sua facilitadora de contatos, a arquiteta Luciana Pacheco.

Objetos como a vela da sala de jantar que acende à bateria (Adeli gosta de velas, mas não aprecia o derreter delas), o teto em gesso com um céu estrelado em LED (apagado, não se vê um ponto sequer da lâmpada) do quarto da filha Roberta, 38; e as cadeiras do home office iguais às utilizadas pela jornalista Fátima Bernardes em seu programa matinal global (e que foram adquiridas por Adeli antes de irem ‘ao ar’).

O apartamento no Edifício Ômega, no Centro, é um mix de contemporaneidade e de peças clássicas no quesito decoração – assim como Adeli é. A antiga máquina de costura da Singer (sim, Adeli costura suas barras, pences e zíperes) com gabinete pintado no mesmo tom de vermelho queimado da incitante cozinha, um estilo inspirado em um modelo italiano, é emblemático entre passado e futuro.

Desafiando os designers de interiores, um chão de madeira que entra pela sala do home theater, segue pelo corredor e chega até os quartos está entre os grandes achados de Adeli – antes de encontrar o assoalho, ela idealizou um tipo nunca visto: “Queria que tivesse cheiro de madeira. Tato de madeira. Que eu enxergasse a madeira. Afinal, esse é um material nobre, e o tipo laminado é como uma maquiagem pesada para uma bela moça, esconde todo seu encanto”, diz.

Diferenciado, o assoalho de cumaru com acabamento Bona Naturale foi exatamente o que Adeli Bacchi desejou. Com tábuas com 2 a 4 metros – tacos possuem comprimento de 40 centímetros –, o piso tem uma proposta ousada, conta o empresário do ramo de revestimentos em madeira que realizou a obra, Flávio Augusto Ferraz, proprietário da Timberfloor e graduado em tecnologia da construção civil pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

“O Naturale parece não ter verniz. É um piso que revela as características próprias da madeira. Uma composição rústica e moderna, no estilo Toscana”, explica o especialista.


Home Office: design das cadeiras de madeira chama atençãoPerfil

O assoalho da parte íntima do apartamento reflete de certa forma a vida de Adeli Bacchi. Ousada e fora do comum, ela foi a segunda mulher a ser eleita vereadora na história política de Piracicaba (depois de Benedita Penezzi), a primeira da oposição em tempos duros de ditadura militar.

Formada em música e teatro pela Empem (Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle), Adeli representou o papel de Cacilda Becker, que fazia dupla com o marido Walmor Chagas, na peça Em Moeda Corrente do País (1960), de Abílio Pereira Almeida. “Eu atuei no período da ditadura, Cacilda foi de uma época anterior. Minha primeira fala foi censurada e dita apenas na última apresentação. A frase era: ‘Não sei como não arrebenta logo a revolução nessa terra. Nós somos mesmo uma carneirada’.” O papel lhe rendeu o Prêmio Sérgio Cardoso de melhor atriz.

Com atuação marcante nos primórdios do direito do consumidor e militância junto a políticos de peso como Mário Covas e José Sarney, Adeli admite sua desilusão com a política. “Eu era idealista. Tive uma decepção grande quando percebi que mesmo sendo vereadora não poderia mudar muita coisa. Infelizmente, hoje em dia nada mudou [na política].”

Hoje, a jovem senhora divide seu tempo entre leituras, estudos, trabalhos diversos e Facebook. No final da entrevista, Adeli revela uma tatuagem em cada pulso com os nomes dos seus dois filhos precedidos de uma estrela. E ela diz à repórter: “Ponha o dedo na estrela [eu pus]. Ela pulsa [pulsa mesmo, foi de caso pensado?]. Sim [e estendeu um sorriso de satisfação, de dever cumprido]”. (por Cristiane Bonin)

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