Fazemos acontecer

Querido caipira

Publicado na Revista Tutti Vida & Estilo | 06ª Edição | Março | 2013
Foto: Alessandro Maschio / MBM Ideias e reprodução

Criado pelo desenhista Edson Rontani, Nhô Quim já é um sexagenário

Neste centenário do XV de Piracicaba, um caipira muito simpático, de barbicha, botina e cigarrinho de palha na boca, acompanha o time há mais de 60 anos. É o Nhô Quim, mascote do clube e que o identifica até hoje.

O site oficial do XV (www.xvpiracicaba.com.br) destaca, ainda que de forma tímida, usando a expressão ‘segundo consta’, que o personagem “foi criado pelo cartunista Nino Borges, da Gazeta Esportiva, e o nome dado pelo redator chefe do referido jornal, Thomas Mazzoni, em1949.” Quem passou para a história, porém, como o criador do Nhô Quim foi o artista e desenhista piracicabano Edson Rontani.

Filho mais velho de Rontani, o jornalista Edson Rontani Junior contesta essa informação é diz que o artista não é ‘pai de criação’ do Nhô Quim, mas sim pai de fato. “O que acontece é que ultimamente na internet se aceita qualquer coisa e estão replicando fatos sem checar. É tudo colocado sem provas. Infelizmente eu não tenho provas materiais, mas minha fonte é o que meu pai me falou. Ouvi diretamente dele”, afirma. De qualquer maneira, a versão de Rontani Jr. também foi acrescentada no site do XV.

De acordo com o jornalista, o pai já desenhava a figura do caipira quando tinha uns 15 anos, por volta de 1947. “Ele era moleque e pregava os cartazes com as ilustrações no Chalé Paulista, do Arminthos Raya, que ficava do lado do Clube Coronel Barbosa”, lembra. Aí, aproveitando a euforia de 1948, quando a equipe subiu para a primeira divisão.

Foi então que Delphim Ferreira da Rocha Netto, grande pesquisador da história do XV e correspondente da Gazeta Esportiva na cidade, levou para o jornal o trabalho de Rontani para ser apreciado pelo redator Manzoni. “Ele gostou do trabalho, mas disse que já tinha um desenhista, o Nino Borges, que adaptou o desenho ao seu estilo”, conta Rontani Jr. E foi assim que o Nhô Quim foi publicado, pela primeira vez, no dia 29 de maio de 1949.

Quanto à inspiração, Rontani Jr. diz que Mazzaropi não parece ter sido a maior fonte. “Eu acho que tem mais a ver com o Almanaque do Jeca Tatu ou então com o comediante mexicano Cantinflas”, define. Sobre a profissão, Rontani Jr conta que o pai, falecido em 1997, viveu numa época em que não se pensava em arte como profissão. “Meu avô não aceitava muito, e o que se dizia de forma geral é que fazer desenho era coisa de vagabundo. Tanto que meu pai acabou fazendo carreira no serviço público, como uma forma de compensar. Foi trabalhar no Estado, porque se casou em 1964 e logo começaram a nascer os filhos”, explica.

Para o filho, o desenho, mais que uma inspiração, era também uma válvula de escape. “Eu penso também que ele desenhava para aliviar o estresse. Afinal, ele nunca ganhou nada com isso. Não sei se hoje ele conseguiria viver da arte. Eu só sei que ele não desenhava por obrigação. Eu me lembro do ritual que ele cumpria para desenhar, com o cigarro de palha que ele mesmo fazia e acendia, e começava a desenhar”, recorda.

Durante este tempo todo, o Nhô Quim passou por várias fases. Alguns desenhos têm uma garruchinha, outro uma gaiola e também um cigarro de palha. A partir dos anos 60, o personagem foi encarnado pelo fotógrafo Cícero Correa dos Santos, que aparecia em eventos vestido como ele e até desfilava nas escolas de samba. Mais recentemente essa função vem sendo cumprida por Artur Ganst, nascido em Tupi Paulista e radicado em Piracicaba há 16 anos.


Edson Rontani criador do personagemNO FACEBOOK

Outro filho de Rontani, o artista gráfico Fábio, mantém há um ano e meio a página Nhô Quim no Facebook, que já conta com 1.000 seguidores. “Eu, de certa maneira, fui desafiado a criar a página porque descobri que havia um perfil falso usando o desenho de meu pai sem autorização”, conta.

Com o tempo, Fábio foi sentindo que a rede social é um ótimo espaço para divulgação de projetos. “A intenção mesmo é retomar uma atividade que mantive há muitos anos, a estamparia. Tenho o projeto de fazer camisetas com a estampa do Nhô Quim”, conta.

A força do personagem criado pelo pai ainda existe, mas precisa ser atualizada. E para isso, a internet é indispensável. “Os antigos conhecem o Nhô Quim, a molecada ainda não. Por isso é a oportunidade de torná-lo mais conhecido”, conta Fábio.

Ele reconhece que não tem muito tempo disponível para atualizar a página no Facebook, tarefa que pretende passar para o filho Mateus, de 23 anos. “Quero ver se ele toca porque a geração dele está mais ligada. Assim podemos fazer mais promoções. E a época dos 100 anos do XV é ideal”, conclui. (por Ronaldo Victoria)

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