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Água: é preciso saber usar

Publicado na Revista Tutti Vida & Estilo | 13ª Edição | Abril | 2014
Foto: Shutterstock

Situação precária do rio Piracicaba inspira adoção de medidas nos condomínios que buscam o uso racional da água


Por Ronaldo Victoria
 
Não é porque o cenário desolador que se viu em janeiro no rio Piracicaba -- com um filete de água e as pedras aparecendo – melhorou, que a população pode se descuidar em relação ao uso racional da água. Ao contrário, este é o momento ideal para que os moradores de condomínios passem a se preocupar bem mais com a questão. No mínimo para evitar que a questão se repita e, no máximo, para espantar o fantasma do racionamento que, sempre é bom lembrar, ainda pode assustar se a população não tiver atitudes mais racionais no dia a dia.
 
Com a experiência de quem foi secretário de Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba, na administração José Machado (PT), o professor Juan Moreno Sebastianes afirma que a questão é importantíssima e precisa ser encarada com seriedade, não apenas pelos administradores de condomínio, mas pelo poder público.
 
Morador do condomínio San Marino, no Bairro Alto, Juan já foi síndico por duas gestões do prédio, tempo em que propôs implantar várias medidas em relação à economia de água. “Hoje, o que eu acho mais importante é que se tenha um hidrômetro individual, por unidade residencial ou empresarial, assim o desperdício deve pesar no bolso de quem o pratica.”
Enquanto isso não acontece, ele conta que em seu prédio se estuda também a instalação de um sistema de aproveitamento de água da chuva, para irrigação, lavagem de pisos, veículos e até para descargas em sanitários. “Mas isso deveria ser estimulado pelo poder público”, adianta.
 
Juan também destaca que o condomínio deve sempre reforçar, tanto para moradores quanto funcionários, as medidas para o uso racional de água, por mais simples que elas pareçam. Só assim se pode contar com a adesão.
 
Segundo Juan, não fica difícil convencer os moradores a aderir à campanha, e o melhor mesmo é usar argumentos econômicos, falando do que pesa no bolso. “É fácil explicar que quem gastar menos água, além de ajudar a cidade a não ter racionamento, vai pagar menos na conta do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto). Isso pode ser feito com impressos e palestras explicativas”, conta.
 
O professor destaca que a instalação de hidrômetros individuais em prédios, ao contrário do que alguns dizem, não é um ‘bicho de sete cabeças’. “É difícil, sim, mas há empresa especializada que instala vários hidrômetros por apartamento e depois consegue fazer as leituras do gasto à distância, eletronicamente. Na capital isso já está funcionando muito bem, com grande vantagem, até econômica, pois cada família se esforça e sente logo o bom resultado”, afirma.
 
Ele lembra que, em condomínios com hidrômetros individuais, basta orientar bem, e nem é preciso fiscalizar, pois ‘o bolso reclama’. “Com hidrômetro coletivo é muito difícil, pois não podemos ver o que cada um faz dentro da sua casa.  Só podemos vistoriar vazamentos nas válvulas, torneiras, e cobrar reparos rápidos, quando necessários. Além de fiscalizar alguns comportamentos inadequados visíveis de fora, mas que são raros”, diz.
 
Mesmo sem ser síndico do San Marino, o professor continua atuando em relação a essa questão específica. Como o condomínio ainda tem hidrômetro coletivo, ele descobriu uma empresa que ajuda a mudar e transmitiu a informação ao atual síndico, Luiz Pessoa. “Fizemos a vistoria de vazamentos e cobramos reparos. Trocamos vasos sanitários nas áreas comuns e trocamos por modelos mais econômicos, e estimulamos essa troca em apartamentos, e em alguns conseguimos. Melhoramos também o procedimento dos funcionários em relação à limpeza e à irrigação. E temos um projeto de aproveitamento de água da chuva, que ainda não foi instalado”, enumera.
 
Juan lembra que hoje existem cidadãos conscientes, e que o curioso é que eles são influenciados pelas crianças, que aprendem na escola e cobram coerência dos pais. “Ainda vemos muitos absurdos como varrição com água, banhos muito demorados e muitos outros desperdícios. Inclusive do Semae que, segundo noticiado, perde 47% da água que trata. “Isso precisa mudar radicalmente, além de criar-se um estímulo para o reaproveitamento da água da chuva que, se usado por muitos, pode até reduzir os efeitos das inundações em alguns lugares, durante período de chuvas intensas”, conclui.
 
Cooperação
 
A questão também mereceu destaque da Brancalion Administradora de Condomínios, que trabalha com mais de 120 condomínios, tanto horizontais quanto verticais, em Piracicaba.
 
Um texto didático, distribuído aos condôminos, expõe vários assuntos importantes, em forma de ‘Você Sabia Que?’.
 
Uma família de três pessoas, que reduza em apenas sete minutos o consumo diário de água para qualquer finalidade, vai economizar ao longo da vida (73,5 anos) o equivalente a duas piscinas olímpicas.
 
Se todos os moradores do Brasil fecharem a torneira ao escovar os dentes durante um único mês, a água economizada equivalerá a um dia e meio do volume de água que cai pelas cataratas do Iguaçu.
 
Se apenas duas pessoas em cada casa da Região Metropolitana de São Paulo reduzirem em cinco minutos o tempo de chuveiro aberto no banho, em apenas 27 dias será economizado o suficiente para abastecer de água por um mês uma população de 2,9 milhões de habitantes – mais do que Salvador, que tem 2,7 milhões de moradores. 
 
Por isso, a Brancalion recomenda vários cuidados para colaborar não apenas com o condomínio, mas com toda a cidade:
 
Não use o vaso sanitário como lixeira. Economia média: 20 litros/dia por descarga a menos. 
 
Escovando os dentes, lavando o rosto, fazendo a barba, não deixe a torneira aberta. Economia média: 20 litros/dia por pessoa. 
 
Lavando louça na pia: torneira aberta, só para enxaguar. Economia média: 200 litros/dia. 
 
Máquinas de lavar roupas e louças: use com a capacidade máxima. Economia média: 50 litros/dia acionando os equipamentos a metade das vezes. 
 
Torneira pingando: conserte o mais rápido possível. Economia média: 46 litros/dia.
 
Como contribuir
Evite banhos com excesso de água e de energia. Feche o registro antes de se ensaboar.
Feche a torneira enquanto estiver escovando os dentes.
Não ‘varra’ a calçada com água, assim como as garagens e os quintais. Água só para lavar mesmo, e raramente.
Resolva logo qualquer problema de vazamento em água ou torneira.
Também é bom começar a substituir os vasos sanitários com caixas acopladas antigas pelas modernas, com opções de fluxo de água e muito mais econômicas. 
Reaproveite a água da máquina de lavar para lavar pisos.
Fonte: Professor Juan Sebastianes
 
 
Tratamento do esgoto é essencial
 
A situação da escassez da água também está ligada ao tratamento de esgoto. Mais esgoto tratado, mais qualidade de água. Como destaca a Águas do Mirante, empresa responsável pelo setor em Piracicaba, aproximadamente 7 milhões de habitantes ainda não têm acesso a banheiro no Brasil. Este fato significa que 62% do esgoto gerado pela população brasileira não é tratado. A Águas do Mirante, que assumiu a concessão do tratamento de esgoto local por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada), tem como meta o tratamento de 100% do esgoto.
 
No acordo com a Prefeitura, a Águas do Mirante se comprometeu a antecipar os investimentos para que a cidade possa atingir a universalização do esgoto, ainda em 2014. Serão R$ 90 milhões destinados a um pacote de obras que começaram a ser realizadas em 2013.
 
“O município de Piracicaba ganhará destaque nacional quando esta meta for atingida. Todo o nosso esforço é realizado para que a água que Piracicaba utiliza seja devolvida para a natureza livre de resíduos e poluentes, o que significa mais saúde, qualidade de vida e conservação do meio ambiente”, afirma o presidente da empresa, José Benedito da Silva Braga Filho.
 
 
 
 

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