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Pimenta-rosa é arma contra Alzheimer

Publicado na Revista Tutti Vida & Estilo | 18ª Edição | Fevereiro | 2015
Foto: Divulgação

Por Cristiane Bonin

 
Pesquisa mostra que pimenta-rosa é o melhor alimento funcional no combate e prevenção a doenças neurodegenerativas
 
Uns dizem que ela tem gosto de manga, mas a grande novidade é que a pimenta-rosa é uma arma poderosa contra o Mal de Alzheimer. Hit entre os chefes de cozinha, este fruto foi apontado como a mais eficiente das pimentas no combate e prevenção a doenças neurodegenerativas que, progressivamente, devastam a memória e as habilidades cognitivas.
 
A descoberta inédita da pimenta-rosa como o melhor entre os alimentos funcionais – considerando o nível de atividade anticolinesterásica em pimentas-do-reino e pimenta-rosa – no combate ao Alzheimer e doenças semelhantes foi realizada em estudo divulgado pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), no fim de 2014. Atividade anticolinesterásica é a capacidade de reduzir a destruição dos neurotransmissores responsáveis pela área cognitica pela enzima acetilcolinesterase.
 
Segundo a autora do trabalho de dissertação, Fúvia de Oliveira Biazotto, os tratamentos convencionais com inibidores sintéticos de acetilcolinesterase têm baixa efetividade e a ausência de prognóstico positivo. ´´Esses inibidores não previnem ou curam a doença. Apenas tratam a perda cognitiva sem atrasar ou modificar a progressão da enfermidade. Em alguns casos, os medicamentos só funcionam por limitado período de tempo e, para alguns pacientes, não oferecem alívio nenhum´´, afirma Fúvia.
 
De acordo com os estudos na Esalq, a pimenta- rosa destacou-se por conter os maiores teores de antioxidante e a melhor atividade anticolinesterásica em relação a todas as pimentas
investigadas. Ou seja, com base nos dados obtidos concluiu-se que a pimenta-rosa apresenta o maior potencial na redução de risco da doença de Alzheimer.
 
´´Para a descoberta de novos compostos ou alimentos com potencial para reduzir o risco de incidência de Alzheimer, o primeiro passo a ser dado é a avaliação do seu desempenho em
análises in vitro. Dessa forma, estes foram os primeiros passos dessa pesquisa, sendo necessários mais estudos a fim de avaliar, de forma mais detalhada, os possíveis mecanismos de
ação dos compostos bioativos presentes nas pimentas-do-reino e pimenta-rosa´´, complementou a pesquisadora.
 
ALZHEIMER
Entre os problemas relacionados à velhice, a demência tem sido apontada como uma das principais causas de morbidade em idosos. Clinicamente é caracterizada por um declínio progressivo e global de múltiplas funções cognitivas, incluindo memória, aprendizagem, orientação, linguagem, compreensão e julgamento, sem obscurecimento da consciência.
As disfunções cognitivas são frequentemente acompanhadas e, ocasionalmente, precedem o descontrole emocional, comportamental e motivacional.
 
´´Entre os tipos de demência, a doença de Alzheimer é a mais comum, representando cerca de 70% a 75% de todos os casos de demência acima da faixa etária de 65 anos. Mundialmente, mais de 26 milhões de pessoas sofrem com o Mal de Alzheimer e a perspectiva é a de que este número de pacientes dobre a cada 40 anos. Na hipótese de ser possível adiar a doença por, em média, dois anos, a prevalência mundial em 2050 seria de 22 milhões a menos de casos do que as previsões atuais, reduzindo significativamente os custos e o número de pessoas com a doença. Atualmente, a incidência é de 7% em pessoas com mais de 64 anos e de 39% em pessoas com mais de 79 anos´´, finalizou Fúvia.
 
PIMENTAS
As pimentas branca, verde e preta são os principais tipos de pimenta-do-reino existentes nos supermercados. Todos esses grãos de pimenta são procedentes da espécie Piper nigrum, e só se diferenciam pelo período de colheita e processamento empregado. Anatomicamente, a pimenta-rosa é muito semelhante às pimentas-do-reino. Outras características como sabor pungente, o uso comum na culinária e a comercialização a granel sob a forma desidratada também reforçam essa similaridade.
 
Apesar de ser muitas vezes confundida como mais um tipo de pimenta-do-reino, a pimenta- -rosa é fruto da aroeira, uma árvore bem comum no interior de São Paulo. ´´A aroeira é nativa da América do Sul e seus frutos são comuns na cozinha francesa, daí ser conhecida como poivre rose (pimenta-rosa em francês). Crocante e com sabor levemente adocicado e ardência bem delicada, dá personalidade e textura aos pratos. Não deve ser cozida e sim colocada ao final da preparação. Só há pouco tempo passou a fazer parte da culinária brasileira, que até então exportava a pimenta-rosa para a Europa e depois a importava de volta´´, conta a chef de cozinha Fernanda Lopes, editora do blog e do caderno Boa Mesa, do jornal Tribuna de Santos.
 
Ela explica que, por conta da baixa ardência, a pimenta-rosa não é usada como condimento, mas como elemento de decoração. ´´Por outro lado, dá um sabor especial, pois quando as sementes são mastigadas, percebe-se a suave ardência.´´ O aspecto do fruto, quando fresco e bem conservado, é uma película fina e delicada de cor avermelhada ou rosada, de textura quebradiça que envolve uma semente escura de sabor levemente adocicado e pouco picante. ´´Evite as pimentas com películas soltas, com a cor rosa desbotada e cheiro de mofo. A melhor maneira de armazená-la é em recipientes herméticos, secos e limpos. Evite deixá-la exposta à luz e em ambientes úmidos´´, observa Fernanda.
 
E como usar o fruto da aroeira? Fernanda conta que a pimenta-rosa combina tanto com preparações salgadas como doces. É usada, de maneira especial, em molhos para medalhões
de filé mignon grelhado, mas também fica muito bom com massas simples, como fetuccine na manteiga, filés de frango e de peixe. Sorvetes de frutas, mousses, crepes e saladas
(doces e salgadas) ganham mais cor e sabor com a pimenta-rosa adicionada no momento de servir. Atualmente, com a moda do brigadeiro gourmet, tem ficado comum a versão brigadeiro branco envolto na pimenta-rosa moída.
 
Caponata com pimenta-rosa
Ingredientes
1 berinjela
1 pimentão vermelho
1 cebola
2 dentes de alho picadinhos
1 xícara de azeite
1/3 de xícara de vinagre
1 colher (sopa) de açúcar
10 azeitonas verdes picadas
1/2 xícara de uvas passas brancas
2 colheres (sopa) de pimenta-rosa.
Sal a gosto
 
Preparo
Corte a berinjela, a cebola e o pimentão em cubinhos. Misture tudo (exceto o sal, as passas e azeitonas) e leve ao forno pré-aquecido e coberto com papel alumínio. Após meia hora, tire o alumínio, mexa e deixe mais 15 minutos. Tire do forno, misture as passas, as azeitonas e a pimenta-rosa. Corrija o sal. Sirva com torradinhas ou pão italiano. Fonte: Fernanda Lopes é chef de cozinha e jornalista. Veja mais sobre gastronomia em atdigital.com.br/boamesa.
 

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