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Apaspi: pioneira e avançada

Publicado na Revista Tutti Vida & Estilo | 18ª Edição | Fevereiro | 2015
Foto: Alessandro Maschio

Por Ronaldo Victoria

Foto: Alessandro Maschio
 
Criada para auxiliar pessoas com deficiência auditiva há 38 anos, entidade atende hoje 55 crianças e adolescentes
 
Pioneirismo é a marca da Apaspi (Associação de Pais e Amigos dos Surdos de Piracicaba), organização da sociedade civil privada que foi criada na cidade no dia 26 de maio de 1977. Na época em que as professoras Adir Teresinha Massari e Maria Ephigênia de Mello Camuzzo tiveram a atitude de fundar a entidade, o quadro geral em relação aos deficientes auditivos era muito diferente. ´´Elas eram duas professoras da Escola Estadual João Conceição, que fica na Paulista, e teve a primeira classe especial para deficientes auditivos. Além do trabalho
específico de educação, elas se reuniam com os pais dos alunos para palestras e orientações.
Isso porque a informação era pouca e o preconceito ainda era grande”, lembra Denise Cássia Lourenço, supervisora pedagógica da Apaspi.
 
Foi com a missão de aumentar a inclusão e diminuir a desinformação que surgiu a entidade, naqueles primeiros anos ainda em estágio embrionário. A Apaspi foi a primeira a fazer um trabalho voltado para esse público, não apenas em Piracicaba, mas em toda a região. Naquele tempo, foi constatado que 90% das pessoas com algum tipo de deficiência não recebiam qualquer tipo de acompanhamento especializado.
 
Para começar esse serviço, mas decidida a fazer um levantamento que embasasse o trabalho, a diretoria da Apaspi dos primeiros anos realizou o cadastramento de toda a ´´As professoras fizeram esse levantamento e chegaram aos nomes de 80 surdos em Piracicaba naquela época´´, conta Denise. Assim, em 28 de março de 1984, começou o atendimento
especializado, o primeiro recurso social destinado a essa camada da população.
 
Hoje, quase 40 anos passados, a Apaspi continua seu trabalho focado neste público. Atende atualmente 55 crianças e adolescentes, na faixa etária de zero a 18 anos. Eles contam, na sede (localizada na rua Doutor Alvim, 1464, no bairro São Judas), com a Clínica Lalita Elias Sierra, que oferece aulas de linguagem de sinais, consultas com fonoaudiólogos,
atendimento pedagógico individual e testes de audiometria.
 
O foco do trabalho é a integração da criança e do adolescente. ´´Eles se integram ao sistema regular de ensino, mas dispõem de intérpretes em linguagens de sinais para que se faça essa integração. É necessário, senão como eles vão se comunicar?´´, lembra a supervisora pedagógica.
 
O atendimento da Apaspi funciona como um complemento ao sistema oficial de ensino. ´´Todos estão matriculados nas escolas. Quem estuda de manhã, vem aqui à tarde e vice-versa´´,
conta a diretora Fátima Esteves. A entidade também atua em conjunto com a Santa Casa, que faz o chamado ‘teste da orelhinha’ e encaminha as crianças a partir dos seis meses de idade, diagnosticadas com deficiência auditiva.
 
Elas já começam a passar pela estimulação precoce. Para manter esse trabalho, estima Fátima, a Apaspi tem um gasto mensal de R$ 20 mil. ´´Por isso precisamos sempre de contribuições e da organização de eventos beneficentes como venda de pizza, bingo e bazar. Outra fonte importante é a nossa participação na Festa das Nações de Piracicaba, onde já estamos há 27 anos, representando a Barraca Brasil Nordeste. Com a renda que conseguimos com a festa, podemos nos manter por quatro meses´´, conta a diretora.
 
A entidade também aceita voluntários, conforme suas necessidades de momento, mas eles precisam ser capacitados para atuar de acordo com os padrões adotados pelo atendimento da Apaspi. Os atendidos têm deficiência auditiva moderada, severa ou profunda, sem outros comprometimentos. É oferecido serviço social (para preparar a família ao processo de aceitação e reabilitação) e pedagógico (responsável pelo desenvolvimento global e reabilitação). O curso de Libras inclui também os pais, para aprimorar a comunicação em família. Outro fator que anda em alta é a colocação no mercado de trabalho. Denise cita uma parceria com a indústria alimentícia Mondelez. ´´Já foram encaminhadas mais de 200 pessoas que têm se adaptado bem ao sistema de produção, pois demonstram alta dose de concentração durante a rotina de trabalho´´, afirma.
 
MERCADO DE TRABALHO
Aos 24 anos, Vinícius Adilson das Neves, que frequentou a Apaspi durante 18 anos, trabalha há cinco anos no setor de hortifrutigranjeiros do supermercado Jaú Serve, no bairro São
Dimas, tem uma boa definição sobre a sua personalidade. ´´Eu sou inteligente e deficiente auditivo”, garante. O problema é de quem não entende que as duas características andam juntas, sim.
 
No supermercado, Vinícius, que perdeu a audição aos dois anos de idade, cuida da reposição de hortaliças e legumes nas bancas, trabalho que desenvolve com muita aplicação. ´´Eu tenho muitos amigos aqui e gosto muito do meu trabalho”, relata. Ele tem deficiência auditiva severa, mas lê lábios e também se expressa pela linguagem de sinais. A entrevista, porém, foi realizada por escrito. Satisfeito com o trabalho, Vinícius tem como plano imediato voltar aos estudos. ´´Quero terminar o ensino médio´´, declara.
 
Para ajudar: Quem quiser colaborar com a Apaspi pode entrar em contato pelos telefones (19) 3434-9947 ou 3422-8324 e solicitar o boleto bancário. Ou então fazer um depósito diretamente na conta da entidade: Bradesco, agência 2209-8, conta corrente 27.602-2. A Apaspi funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 13h30 às 16h30.

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